CHEGA ataca desenvolvimento da Terceira e revela mentalidade centralista
Mobilidade

Para o CDS/Açores, a crítica do CHEGA à nova ligação aérea entre a Terceira e o Funchal não revela preocupação com os Açores, mas sim uma visão pequena, centralista e profundamente injusta para com as restantes ilhas.


Na sua nota de imprensa de 5 de março de 2026, o CHEGA afirma que “não faz sentido os políticos andarem a anunciar rotas que já sabemos que são deficitárias”, referindo-se à ligação Lajes-Funchal.


É importante que se diga que esta crítica assenta numa omissão grave: a rota Funchal/Terceira/Funchal não surgiu de um capricho nem de uma invenção de circunstância, essa ligação foi integrada pelo Estado Português nas obrigações de serviço público em 2023 que incluiu expressamente a rota Funchal/Terceira/Funchal no procedimento concursal, precisamente ao lado de outras ligações consideradas necessárias ao interesse público.


O Governo da República explicava, aliás, que estas obrigações existem para garantir serviços mínimos de continuidade, regularidade e preços em rotas que o mercado, por si só, pode não assegurar, em nome da acessibilidade e da diminuição do distanciamento económico e social das regiões insulares.


Em 2024, em novo concurso público, o Estado não abandonou esta rota. Pelo contrário, manteve expressamente a ligação Funchal/Terceira/Funchal.


No plano europeu a realidade é a mesma, isto é, a nota informativa da Comissão publicada no Jornal Oficial da União Europeia em 23 de maio de 2025 identifica a rota Funchal/ Terceira/Funchal e fixa a entrada em vigor das obrigações de serviço público em 1 de setembro de 2025. Portanto, estamos a falar de uma ligação enquadrada formalmente no regime europeu e nacional de serviço público, não de uma fantasia política.


Perante isto, o que parece verdadeiramente incomodar o CHEGA é outra realidade: o facto de haver progresso fora do eixo habitual do centralismo de Ponta Delgada. Quando uma nova oportunidade beneficia outra ilha, nomeadamente a Terceira, aparecem logo os mesmos discursos do costume, como se qualquer investimento fora de São Miguel fosse um desperdício, uma extravagância ou uma ameaça. Essa mentalidade mesquinha é um entrave ao desenvolvimento equilibrado do arquipélago.


Os Açores não podem continuar reféns de políticos que olham para cada nova ligação aérea, para cada nova oportunidade económica e para cada nova porta aberta ao exterior com o filtro estreito do bairrismo e do cálculo pequeno. Uma região arquipelágica precisa de mais alternativas, mais portas de entrada, mais mobilidade e mais equilíbrio territorial.


Não precisa de guardiões do imobilismo.


A ligação Terceira–Funchal cria oportunidades verdadeiras para a economia turística da Terceira e do grupo central, reforça a mobilidade dos açorianos dessas ilhas e diversifica os pontos de entrada e saída da Região. E essa diversificação é tanto mais importante quanto o próprio Estado tem vindo a reconhecer a necessidade de estruturar melhor as ligações de interesse público entre regiões insulares e ultraperiféricas.


O regime das obrigações de serviço público existe exatamente para servir pessoas, territórios e coesão, e não apenas contas de merceeiro feitas por quem nunca percebeu o que significa governar um arquipélago.


Recorde-se, ainda, o que aconteceu no verão passado, com queixas públicas e evidentes constrangimentos associados à forte concentração de fluxos em Ponta Delgada. Quem defende alternativas de mobilidade e uma rede mais distribuída entre ilhas e portas de entrada está a agir com sentido estratégico. Quem combate sempre essas alternativas apenas porque não passam por São Miguel está a prestar um mau serviço aos Açores e a São Miguel.


A verdade é que os Açores só evoluem quando se pensa em todas as ilhas, e enquanto houver forças políticas que se incomodam com o desenvolvimento da Terceira, do Faial, do Pico, de São Jorge, da Graciosa ou de qualquer outra ilha que não São Miguel, continuará a haver um bloqueio mental ao progresso harmonioso do arquipélago.


O CDS/Açores entende que essa visão centralista e bairrista não constrói futuro, apenas alimenta divisões e atrasa os Açores.


Defender a rota Terceira–Funchal é defender uma Região mais equilibrada, mais acessível e mais justa. Combatê-la, com argumentos pequenos e visão curta, é escolher o atraso.


Angra do Heroísmo, 06 de março de 2026

CDS Açores
18-03-2026
Comunicação
Categoria: CDS Açores

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