O Deputado regional do CDS-Açores, Luis Silveira, defendeu hoje, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, a importância estratégica do setor das pescas para a economia, identidade e coesão territorial da Região, sublinhando a necessidade de continuar a garantir equilíbrio entre sustentabilidade ambiental, valorização do pescado e proteção do rendimento dos pescadores açorianos.
Na sua intervenção, o parlamentar destacou que o Governo Regional dos Açores tem procurado seguir “um caminho de diálogo, proximidade e
responsabilidade” na gestão do setor, trabalho que considerou merecedor de reconhecimento.
O Deputado salientou, em particular, a gestão das quotas de espécies como o goraz, os imperadores e o atum-patudo, defendendo que o Executivo açoriano
tem procurado adaptar as decisões às especificidades das diferentes ilhas e frotas, ouvindo as associações representativas do setor e evitando soluções
uniformes desligadas da realidade açoriana.
“O futuro das pescas exige equilíbrio. Quem defende os pescadores tem também de defender a sustentabilidade dos recursos marinhos e a preservação
do mar dos Açores para as próximas gerações”, afirmou.
O CDS-Açores valorizou igualmente os passos dados pelo Governo Regional relativamente às áreas marinhas protegidas, nomeadamente na criação de
mecanismos compensatórios destinados a minimizar impactos no rendimento dos profissionais da pesca, defendendo que este processo deve continuar a ser
conduzido com bom senso, acompanhamento permanente e atenção às realidades concretas das comunidades piscatórias.
Apesar dos avanços reconhecidos, o Deputado apontou áreas onde considera urgente acelerar respostas, nomeadamente ao nível das infraestruturas
portuárias de apoio à pesca.
“Foram identificados problemas conhecidos em vários portos da Região ao nível da manutenção, operacionalidade, acessibilidades, zonas de descarga,
gruas e condições de segurança. Quem vai ao mar todos os dias não pode encontrar nos portos mais um obstáculo à sua atividade”, alertou.
Na intervenção foi ainda destacada a necessidade de reforçar a monitorização e proteção de espécies regionais, dando como exemplo a situação das
amêijoas de São Jorge, cuja reprodução se encontra comprometida, defendendo uma maior capacidade preventiva e de acompanhamento técnico dos recursos marinhos regionais.
Outro dos principais desafios apontados pelo CDS-Açores prende-se com o escoamento do pescado fresco e a insuficiente capacidade cargueira aérea
durante os períodos de maior produção, ou seja no verão.
Luis Silveira, defendeu que a introdução de capacidade cargueira dedicada na Região deve avançar rapidamente, considerando tratar-se de uma medida
essencial para valorizar o pescado açoriano nos mercados externos e aumentar o rendimento dos pescadores.
Na sua intervenção, o parlamentar destacou ainda exemplos concretos que demonstram o compromisso do atual Governo Regional com o setor conserveiro açoriano.
“O encerramento da antiga fábrica de conservas da ilha do Pico não aconteceu por responsabilidade deste Governo. Pelo contrário, foi este Governo que criou
condições para que o Pico voltasse a ter uma nova fábrica de conservas, geradora de emprego, riqueza e valor acrescentado para a ilha e para os Açores”, afirmou.
O Deputado salientou igualmente a decisão do Executivo açoriano assumir a dívida da Fábrica de Conservas Santa Catarina, em São Jorge, num valor
global superior a 12 milhões de euros, salvaguardando uma estrutura considerada fundamental para a economia regional e em particular para a Ilha
de São Jorge, na manutenção de cerca de 130 postos de trabalho.
Segundo referiu, a Santa Catarina alcançou em 2025 uma faturação superior a 10 milhões de euros, comercializou mais de 8 milhões de unidades de
conserva e encontra-se atualmente presente em com a marca em mais de 40 países.
“Para além da sua enorme importância social e económica para São Jorge e para os Açores, a marca “Santa Catarina” contribui também para a projeção
internacional dos Açores e da qualidade dos nossos produtos”, frisou.
O CDS-Açores concluiu reafirmando que os pescadores esperam da política estabilidade, previsibilidade e soluções concretas, defendendo que o Governo
Regional deve continuar a aprofundar o trabalho de proximidade com o setor e com quem diariamente enfrenta o mar.
“Proteger os recursos, garantir futuro ao setor e aumentar o rendimento e a dignidade de quem vive da pesca nos Açores continuará a ser o caminho
defendido pelo CDS-Açores”, concluiu.
Horta, 20 de maio de 2026.
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