O Deputado do CDS/Açores, Pedro Pinto, defendeu que a política educativa deve ser avaliada não apenas pelo investimento realizado, pelas obras ou pelo número de profissionais contratados, mas sobretudo pela sua capacidade de melhorar as aprendizagens e garantir igualdade de oportunidades.
“Uma boa escola não se mede apenas pelos milhões, mede-se pelo conhecimento que acrescenta a cada aluno, pela capacidade de raciocinar e pelas oportunidades que abre”, afirmou Pedro Pinto durante o debate sobre Educação em plenário, na Horta, sublinhando que “as gerações não se educam ao ritmo das legislaturas”.
O Deputado destacou o percurso de políticas defendidas pelo CDS desde a gratuitidade das creches, que passou de 590 crianças abrangidas em 2020 para 4686 em março de 2025, aos Pontos de Apoio ao Estudo, ao reforço do Complemento Açoriano ao Abono de Família e à redução do preço das refeições escolares.
Na área do ensino superior, Pedro Pinto salientou o Prémio de Mérito de Ingresso no Ensino Superior cujo valor passou de 500 para 750 euros, bem como o reforço das bolsas, atualmente em 450 por ano, com 1800 atribuídas desde 2021 num investimento próximo dos cinco milhões de euros. Nos doutoramentos foram atribuídas 55 bolsas entre 2021 e 2026, contra 34 entre 2015 e 2020.
O Deputado destacou ainda a criação dos Quadros de Ilha, que permitiu a entrada de mais de 900 professores e educadores nos quadros da Região desde 2021, a revisão da carreira docente, os apoios à habitação e deslocação e a abertura de vagas para centenas de trabalhadores do pessoal de ação educativa.
“Uma escola não é apenas um edifício e os seus alunos. É também feita pelos professores e pelo pessoal que todos os dias os acompanha”, afirmou.
Pedro Pinto defendeu igualmente prudência na digitalização do ensino. Ao recordar que o CDS apresentou, em 2012, uma proposta para a gratuitidade dos manuais escolares, considerou que “a gratuitidade é uma opção de justiça social. O digital é uma opção pedagógica e tecnológica”.
A avaliação externa em curso aos manuais digitais deverá, segundo o Deputado, determinar os próximos passos, isto é, “se o modelo melhora as aprendizagens devemos consolidá-lo, e funcionar melhor em algumas idades ou disciplinas devemos adaptá-lo.”
Sobre a Inteligência Artificial (IA), Pedro Pinto defendeu que a escola deve ensinar os alunos a utilizá-la sem substituir competências fundamentais.
“O desafio é ensiná-los a utilizar a IA sem entregar à máquina aquilo que lhes compete, ou seja, pensar, criar, duvidar, argumentar, verificar fontes e assumir responsabilidade pelo seu trabalho”, disse.
O Deputado reconheceu, contudo, que permanecem desafios no recrutamento e fixação de docentes, na profissionalização de professores, na Educação Inclusiva e na valorização do ensino profissional.
Referindo-se aos resultados mais recentes, Pedro Pinto apontou sinais positivos nos Açores, nomeadamente a melhoria registada no PISA de 2025 em Ciências, Matemática e Leitura face a 2022, bem como uma aproximação às médias nacionais nos exames.
“Devemos reconhecer esses progressos sem triunfalismos. O ponto de partida era baixo e continuamos abaixo das médias nacionais e internacionais em vários indicadores. Fizemos caminho”, afirmou.
Para o CDS, acrescentou, a escola deve ser “exigente e inclusiva”, apoiar quem tem dificuldades sem baixar a fasquia, reconhecer o mérito e ensinar os jovens “a pensar, não dizer-lhes o que devem pensar”.
Pedro Pinto defendeu ainda que a escola açoriana deve reforçar o conhecimento sobre a História, Geografia e Cultura dos Açores, afirmando que “viver numa ilha não determina o tamanho do seu mundo”.
“Esta coligação fez muito pela Educação”, reconheceu o Deputado, salientando que várias destas políticas correspondem a princípios defendidos pelo CDS ainda durante o período em que o partido estava na oposição. Mas, concluiu, “reconhecer o que foi feito não significa dizer que está tudo feito”.
“Fizemos muito e estamos melhores. Mas, em Educação, estar melhor nunca pode significar que já estamos suficientemente bem”, concluiu Pedro Pinto.
Horta, 16 de setembro de 2026
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