O Deputado do CDS/Açores, Pedro Pinto, defendeu, na Assembleia Legislativa Regional, a necessidade de valorizar a posição geoestratégica do arquipélago na defesa euro-atlântica, considerando que esta relevância deve traduzir-se em contrapartidas concretas para a Região, nomeadamente ao nível dos meios de vigilância marítima e aérea e de investimentos na Região de projetos de utilização dual, civil e militar.
No debate de uma recomendação dirigida aos Governos Regional e da República sobre esta matéria, Pedro Pinto sublinhou que a geografia açoriana, apesar de estar na origem de muitas das dificuldades associadas ao isolamento, representa também um ativo estratégico de enorme dimensão para Portugal e para a União Europeia.
“Este é um assunto de capital importância para os Açores. A nossa posição no centro do oceano Atlântico é, por um lado, causa do nosso isolamento e de muitas das dificuldades que enfrentamos, mas é também aquilo que nos confere um valor geoestratégico incomensurável. Somos a fronteira exterior de Portugal e da União Europeia e essa realidade tem de ser devidamente reconhecida e valorizada”, afirmou.
Para Pedro Pinto o debate político sobre esta matéria só terá verdadeiro alcance se contribuir para uma maior consciencialização da sociedade açoriana sobre a importância da Região no contexto nacional e internacional.
“É sempre útil e enriquecedor debater estas questões no Parlamento, mas esse debate terá pouco valor se não formos capazes de o levar para fora destas paredes e de sensibilizar os Açorianos para a importância e a relevância da nossa posição geoestratégica”, salientou.
Pedro Pinto alertou ainda para os efeitos do que considera ser um desmerecimento recorrente da importância dos Açores, defendendo que a Região deve assumir uma voz própria na afirmação do seu papel e na reivindicação das contrapartidas devidas pelo contributo que presta ao País.
“Quando se desvaloriza continuamente a importância dos Açores no quadro da União Europeia e a nível nacional, está-se a dificultar a construção de uma posição forte junto do Governo da República para que a Região seja valorizada e receba as devidas contrapartidas”, frisou.
O Deputado destacou também a instalação prevista de dois cabos submarinos de uma multinacional norte-americana, que terão amarração nos Açores, considerando que esta escolha demonstra a relevância da geografia regional e das condições de segurança que o arquipélago oferece a infraestruturas críticas de comunicações.
“Os cabos submarinos não vão apenas passar pelos Açores, vão amarrar em São Miguel. Esta escolha resulta de dois fatores fundamentais: a nossa posição geográfica e a segurança que essa localização proporciona”, referiu.
Na perspetiva de Pedro Pinto esta realidade deve constituir mais um argumento para reforçar a capacidade de proteção do espaço soberano português na área atlântica.
“Esta importância estratégica deve permitir aos Açores reclamar junto da República mais e melhores meios para a vigilância marítima e aérea do nosso espaço soberano”, defendeu.
Pedro Pinto recordou ainda o papel desempenhado pelos Açores na segurança euro-atlântica, destacando a importância da Base das Lajes, na ilha Terceira, para a afirmação internacional de Portugal e para a sua participação na Aliança Atlântica.
“É também por existir nos Açores, nomeadamente na ilha Terceira, uma base militar com esta relevância que Portugal reforça a sua posição no quadro da NATO. Este património estratégico tem contribuído para a nossa segurança ao longo de mais de 70 anos e não pode ser desbaratado”, afirmou.
Para o Deputado do CDS/Açores, a valorização da centralidade atlântica da Região deve ser assumida como uma questão central para o futuro do arquipélago, exigindo uma posição política firme na defesa dos interesses açorianos junto do Governo da República.
“É fundamental que os Açores tenham uma voz própria sobre a sua centralidade, a sua relevância e o seu futuro. A geoestratégia não é uma questão distante da vida dos Açorianos, está diretamente ligada ao futuro da Região e à capacidade de garantir que a importância que temos para Portugal e para os nossos parceiros internacionais se traduza em reconhecimento e em benefícios concretos para os Açores”, concluiu.
Horta, 23 de outubro de 2026
videos cds